Famosos : Jovem é agredida por um fiscal da STCP no Porto

Jovem é agredida por um fiscal da STCP no Porto

O relato surpreendente da vítima

Publicado por Vamos lá Portugal em Famosos
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Jovem é agredida por um fiscal da STCP no Porto


Uma jovem Colombiana foi esmurrada por um segurança dos transportes do Porto. Segundo a agredida a PSP foi chamada ao local, mas ignorou-a e nem registou a ocorrência.

Num vídeo de 17 segundos, vê-se uma rapariga no chão, de cara para baixo, sangue sobre a calçada, e um homem barbudo, de uniforme onde se lê 2045, em cima dela. À volta pessoas gritam, insultam-no: "Gostavas que fosse a tua filha, gostavas, seu filha da puta?", diz uma voz de homem. "Exatamente", replica uma mulher. "Isto vai tudo para a polícia." 

A pessoa que estava a ser agredida chama-se Nicol Quinayas, tem 21 anos, nasceu na Colômbia e mora em Portugal desde os cinco anos. Tinha saído com duas amigas para a noite de São João, no Porto e esta agressão aconteceu perto das cinco das manha, na paragem do autocarro 800, no Bolhão, quando regressavam a casa.

A noite terminou com Nicol no hospital a fazer uma TAC para verificar se os murros lhe tinham causado outras lesões.

 Na manha de 25 de Junho a jovem foi foi à policia para apresentar queixa, mas nem sequer havia registo da ocorrência e muito menos a identificação do segurança.

"Tu aqui não entras preta de merda, queres apanhar um autocarro, apanhas no teu país." Esta é uma das frases que o "fiscal"  (é assim que a STCP denomina a função do homem em causa) terá dirigido a Nicol.  "Preta", "mulata": "Estes pretos não mudam" foram outros insultos racistas que a jovem também sofreu.

Segundo uma testemunha que se encontrava no local, após Nicol ouvir essas ofensas respondeu:

 "Ela [Nicol] depois de ouvir aquelas coisas passou-se e mandou-o para a puta que o pariu. Ele - que é quase duas vezes eu, vê-se que faz culturismo - agarrou-lhe o pescoço. Ela tentou defender-se e tirar as mãos dele e ele dá-lhe o primeiro soco direcionado ao nariz, ela manda-se a ele furiosa e ele dá-lhe outro soco seguido de um gancho, daqueles socos de baixo que deixam as pessoas KO. Ela cai ao chão e ele mete-se em cima dela em posição de apreensão a torcer-lhe o braço para trás." 

Nesse momento já havia , "imensa gente a ligar para a polícia" e quando os agentes chegaram o segurança disse: "Eu estava a tentar apreendê-la e ela ofereceu resistência". A polícia, garante a testemunha que se chama Cassiano, "não perguntou nada a ninguém. Já vi muitas vezes este tipo de situação. A polícia acredita muito mais nos seguranças." Faz uma pausa. "Foi um caso de abuso de autoridade simples. Eles, os seguranças, têm um sentimento de impunidade."

"Quando decidimos ir para casa, depois das cinco da manhã, chegámos ao metro dos Aliados e estava uma fila enorme para validar os bilhetes. A Tânia não tem passe porque não é do Porto e elas decidiram ir a pé até ao Bolhão. Como tenho passe e estava muito cansada por ter estado a trabalhar até às 10, disse-lhes que ia de metro e nos encontrávamos lá. Quando cheguei já estavam na paragem, no início da fila, e fui ter com elas. Umas senhoras que estavam atrás chamaram-me a atenção por estar a passar à frente e pedi desculpa. Disse-lhes que ia para o fim da fila se quisessem, mas elas disseram que não fazia mal porque eu era só uma e havia lugar para todos."

Quando as portas se abriram, um homem avançou:

"Disse-me com maus modos 'à minha frente não passas', e agarrou-me. Dei-lhe um abanão. Ele ainda disse umas coisas mas fui andando e já estava de passe na mão para entrar quando veio o 'pica', agarrou-me no braço com muita força e disse: 'Tu aqui não entras'. Começou a ficar cada vez mais agressivo e quando dei por mim estava fora do autocarro. Olhei para os olhos dele, achei que estava alterado e disse-lhe que não estava capaz para estar a trabalhar. Acabei de dizer isto e ele dá-me dois socos. Fiquei atordoada, limpei o sangue e cuspi-lhe. Ele disse 'voltas a fazer isso e bato-te mais'. Fiz e ele deu-me outro soco. Caí de cara no chão e ele imobiliza-me, puxa-me o braço direito todo para trás, põe-me a mão na nuca e bate-me outra vez no chão com a cabeça e põe-me um joelho nas costas. Comecei a gritar, só sentia o sangue a escorrer e achei que me ia partir o braço. Ouvia pessoas a insultá-lo."

A amiga de Nicol também contou o sucedido, numa versão um pouco diferente:

 "Ele - o pica - tinha-nos arrastado para o fim da fila depois de nos dizer 'pessoas como vocês só arranjam problemas'. Quando perguntámos 'pessoas como nós como?' ele disse 'pretas'. Corremos para a porta do autocarro e ele disse aquilo de irmos apanhar ao autocarro na nossa terra. Foi aí que o rapaz o interpelou." O segurança, garante Tânia, arrastou-as duas vezes para o fim da fila, deixando em paz Daniela. "Se o problema era supostamente termos passado à frente das outras pessoas", observa esta última, "Por que motivo só as quis impedir a elas de entrar?"
"Eu sou branca. Foi racismo. Perguntei porque é que eu podia passar e elas não. Ninguém me respondeu."

"A segunda vez que ele nos tirou do autocarro puxou a Nicol pelo cabelo e depois atirou-me ao chão", relata Tânia. "Ela insultou-o e ele deu-lhe um soco com tanta força que a Nicol começou logo a sangrar. Empurrou-o para a largar e ele deu-lhe mais dois socos. Houve pessoas a tentar meter-se, aos gritos. E começaram a ligar para a polícia."

Ela própria ligou para a policia:

 "Foi às 5.46 da manhã, ainda está gravado no telefone. Ele estava em cima dela e ela a chorar, a gritar 'por favor largue-me'. Sabe, eu vejo isto acontecer com outros mas quando é connosco ficamos completamente revoltadas. Ele bateu mesmo com ódio. Só aquela frase dele mostra isso. Não sei se teve algum transtorno com alguém da nossa raça mas isso não desculpa. Somos duas miúdas, não temos capacidade de lhe dar um estalo sequer. Bateu na Nicol como se estivesse a bater num homem."

Tânia e Nicol confirmam que a policia não fez nada no local:

. "A atitude da polícia foi vergonhosa completamente. Um polícia é uma autoridade responsável pela segurança pública. Mas não fizeram nada, não nos defenderam. Simplesmente afastaram-no de nós", indigna-se Tânia. Daniela ainda foi perguntar-lhes o que deviam fazer. "Responderam 'é como quiserem.' Questionei se tinham pedido identificações e eles disseram 'fazemos a nossa parte'. Mas não os vi pedir identificações." Nicol é a mais dura: "Não foram polícias. Não se comportaram como tal."

A divisão de comunicação da empresa de transportes,esclarece que "o indivíduo em questão tem funções suspensas até ao término do inquérito que está em curso."

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Fonte: www.dn.pt · Crédito foto: dioguinho.pt

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